

O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou nesta quarta-feira (8) a favor da realização de eleições diretas para o mandato-tampão de governador do Rio de Janeiro.
O voto do ministro, que é relator do caso, foi proferido durante o julgamento do processo no qual o diretório estadual do PSD defende a realização de eleições populares para o comando interino do estado, e não votação indireta, por meio dos deputados da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).
"É evidente que a renúncia do ex-governador Cláudio Castro foi realizada em uma tentativa de burla das consequências do julgamento que foi realizado no TSE", afirmou.Â
O julgamento prossegue para tomada dos votos de mais nove ministros.Â
No dia 23 de março, o ex-governador Cláudio Castro foi condenado à inelegibilidade pelo TSE.
Em função da condenação, o tribunal determinou a realização de eleições indiretas para o mandato-tampão.
Contudo, o PSD recorreu ao Supremo e defendeu eleições diretas.
No dia anterior ao julgamento, Castro renunciou ao mandato para cumprir o prazo de desincompatibilização para se candidatar ao Senado.
Ele poderia deixar o cargo até o dia 4 de abril.
A medida foi vista como uma manobra para forçar a realização de eleições indiretas, e não diretas.
Com a medida, o ex-governador poderia ter influência na eleição de um aliado para o governo.Â
A eleição para o mandato-tampão deverá ser realizada porque a linha sucessória do estado está desfalcada.Â
O ex-vice-governador Thiago Pampolha deixou o cargo em 2025 para assumir uma vaga no Tribunal de Contas do estado.
Desde então, o estado não tem vice-governador.Â
O próximo na linha sucessória seria o presidente da Alerj, o deputado estadual Rodrigo Bacellar.
No entanto, o parlamentar foi cassado na mesma decisão do TSE que condenou Castro e já deixou o cargo.
Antes da decisão, Bacellar também foi afastado da presidência da Casa por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Ele é investigado no caso que envolve o ex-deputado TH Joias.Â
Atualmente, o presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), Ricardo Couto de Castro, exerce interinamente o cargo de governador do estado.Â
Após a decisão do Supremo, as eleições para o mandato-tampão deverão ser convocadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ou pela Alerj.
Quem for eleito para comandar o estado ficará no cargo até o fim deste ano.
Em janeiro de 2027, o governador eleito nas eleições de outubro assumirá o cargo normalmente pelos próximos quatro anos.Â